Respeitando Todas as Tradições

Para abordar um sentimento recorrente que observamos nos Estados Unidos, a Reverenda Sarah Harrison-McQueen da Igreja Metodista Unida Central de Arlington e eu redigimos esta resposta.


Há um refrão perturbador circulando online retratando os cristãos como uma “maioria silenciosa” que está sofrendo perseguições nos EUA. Os sentimentos expressos não refletem o ensinamento de Jesus encontrado nas escrituras cristãs, e simultaneamente trazem dor e sofrimento para pessoas de outras crenças.

O tema recorrente afirma que quando os cristãos não podem ter uma oração cristã durante um evento público, lhe esta’ sendo negada a oportunidade de expressão de sua fé.

Como pessoas de fé, celebramos o desejo de nos conectarmos com o Divino. Não queremos restringir a capacidade de ninguém de se relacionar com o Eterno. E queremos, sem dúvida, que o mundo seja um lugar pacífico com respeito a todos os seres humanos e pela forma como eles se aproximam de seus ideais mais elevados. Por essa razão, nos sentimos compelidas a responder a este refrão e apoiar todos os que são prejudicados pela intolerância. Defender a oração pública fora do contexto de serviços religiosos implica prioridade dos ensinamentos de uma comunidade religiosa sobre outras, o que leva à divisão, e ameaça à liberdade religiosa prometida nos Estados Unidos que foi estabelecida para garantir a liberdade religiosa para todos os indivíduos e crenças.

Quando uma oração cristã de qualquer duração é dita antes de um jogo, aqueles de nós que temos outras crenças imediatamente nos sentimos excluídos dessa ocasião. Nossas tradições e nossa visão de mundo parecem não ter seu espaço, e nos tornamos “o outro”, aqueles que não pertencem. Imaginamos que as pessoas que não tenham uma crença formal também sentiriam que sua visão de mundo não estava sendo respeitada. A tristeza provocada por esta sensação de não pertencer invariavelmente criará uma divisão entre as pessoas baseada em sua relação (ou falta dela) com o Divino. A divisão empobrece qualquer comunidade, desgastando o delicado tecido da sociedade, criando um desequilíbrio artificial entre pessoas que pertencem e pessoas que não pertencem. Sem dúvida, ninguém com Deus em seus corações e mentes se sentiria bem em criar divisões e trazer dor para outros seres humanos.

Quando Jesus ensinou sobre oração, ele deixou claro que seus discípulos não deveriam imitar aqueles que rezam “para que possam ser vistos pelos outros”. (Mateus 6:5-6) Defender demonstrações públicas de oração cristã reflete o desejo de desempenhar publicamente a fé que vai contra o que Jesus falou. É hipócrita defender a oração em nome de Jesus de uma forma que vá contra o seu próprio ensinamento sobre orações.

Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas relatam cada um uma variação do ensinamento de Jesus de que os maiores mandamentos são “Amar a Deus” e “Amar o próximo como você mesmo”. Na versão registrada em Lucas, Jesus é perguntado: “Quem é meu vizinho?” Jesus responde com a história do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37). Neste, as duas figuras religiosas públicas não são as que demonstram amor ao próximo. Em vez disso, Jesus contou uma história que elevou um samaritano como aquele que encarnava o amor pelo próximo. Dadas as divisões culturais daquela época, e’ inusitado que Jesus escolhesse nomear uma pessoa da Samaria como aquela que encarnava o amor por um vizinho e o modelo de como devemos seguir a Deus. Ser um bom vizinho tem um lugar importantíssimo nos ensinamentos de Jesus. Como compartilhar esse refrão perturbador é ser um bom vizinho?

Todos desejamos viver em um mundo onde o bem comum é valorizado, e as diferenças são celebradas porque enriquecem nossas vidas. Quando todas as tradições são respeitadas na arena pública, nossa sociedade se fortalece, há mais bondade e serenidade nos Estados Unidos, e mais possibilidades de paz, amor e contentamento. Como pessoas de fé, confiamos que isso é o que Deus exige de nós, baseado no profeta Micah (Capítulo 6, versículo 8): “Deus claramente lhe mostrou, ó ser humano, o que é bom e o que o Eterno exige de você — agir com justiça, amar a bondade e andar humildemente com seu Deus.” Esperamos que as pessoas de fé em todos os lugares do mundo caminhem humildemente com o Divino, garantindo uma boa sociedade baseada na justiça, amor e inclusão

Graça e Paz,
Reverenda Sarah Harrison-McQueen | Igreja Metodista Unida Central de Arlington
Rabina Lia Bass | JILLI, Fundadora e Líder Espiritual