À medida que a pandemia não parece soltar suas garras sobre o país, à medida que os temores por nossa saúde e bem-estar se aprofundam, à medida que a raiva pela desigualdade racial continua a exigir mudanças reais, e à medida que a incerteza econômica continua a criar profundas ansiedades, busquei, na minha meditação diária, concentrar-me no conceito de rachamim, geralmente traduzido como gentileza ou compaixão.
A palavra rachamim vem da raiz r-ch-m (resh-chet-mem). Essa é uma raiz compartilhada pela palavra em hebraico para útero, rechem. Embora haja um debate acadêmico se as duas palavras compartilham a mesma raiz, gosto de pensar que há uma profunda conexão entre a palavra compaixão e a palavra para útero. Posso pensar na compaixão como a proteção que um feto tem no ventre da mãe, removida de todas as tensões da vida moderna como descrevi acima. Eu também vejo o conceito de rachamim como amor de semelhantes, como a gentileza ou compaixão de pessoas que compartilham o mesmo espaço emocional.
O mundo está precisando de rachamim, de gentileza, de compaixão.
Ao reagir aos desafios da vida cotidiana estamos demonstrando os limites de nosso equilíbrio emocional. É difícil manter-nos centrados, mantendo controle sobre nossas emoções ao ler, ou ouvir, ou assistir as notícias diárias. Devemos manter nosso equilíbrio emocional para que possamos ser seres humanos funcionais neste mundo. Acredito que alcançamos a estabilidade emocional quando aplicamos rachamim à forma como agimos neste mundo. Começamos por ter compaixão e gentileza com nós mesmos. Devemos ter uma compreensão clara de nossas ações e reações enquanto examinamos todas as situações. Deixe-me compartilhar com vocês meu próprio desenvolvimento neste sentido. Eu tinha o mau hábito de rever as palavras que eu disse e as ações que tomei. No começo eu ficava com raiva de mim mesma, logo adicionando então uma boa dose de auto repreensão. Os julgamentos negativos se acumulavam, enquanto eu revisava os cenários e pensava em todas as coisas que eu disse e que não disse, o que deveria ter dito, e em todas as reações que tive e que não deveria ter naquele momento. Raiva, frustração e um sentimento de vitimização coloriam todas as minhas ações. Então aprendi a embalar meu coração gentilmente, e oferecer-lhe a compaixão necessária. À medida que a dor e o ódio diminuíam, a raiva e o medo que obscurecia minha visão dissipava-se lentamente, e uma imagem clara se formava em minha mente sobre a situação e as ações dos outros.
Como examinei meus atos com mais rachamim, aprendi também a estender gentileza e compaixão aos outros, entendendo que outros também sofrem, que tem motivações para suas ações que escapam à minha percepção limitada, diminuindo a negatividade em meu coração. Eu não estava desculpando ninguém por seus erros, nem estava diminuindo minha responsabilidade por certas situações. À medida que desenvolvi mais autocompaixão, tornou-se mais fácil ter compaixão pelos outros.
O mundo precisa de compaixão, e sugiro que comecemos por nós mesmos. Convido você a embalar gentilmente seus corações e oferecê-los compaixão. Comece explorando, com curiosidade e não julgamento, as razões de suas ações. Em vez de se repreender por não fazer o suficiente, dar o suficiente, participar o suficiente, dê-se um pouco de rachamim, e equilibre tudo isso lembrando suas próprias ações, as coisas que você fez, e suas realizações. À medida que você percebe que é humano, assumindo a responsabilidade sem julgamentos, torna-se mais fácil estender compaixão a outros seres humanos. À medida que estendemos essa compaixão, torna-se mais fácil ver as pessoas como elas são, em vez de julgá-las por sua afiliação, por sua participação em uma coisa ou outra, por suas ações ou inações. Quanto mais compaixão oferecemos, mais fácil é ouvir outros pontos de vista, comunicando-se claramente, criando melhor entendimento entre as pessoas. Aumentamos a paz neste mundo quando falamos e ouvimos com compaixão.
Desejo, para nós e para o mundo em que vivemos, muito rachamim, nossa capacidade de gentileza com nossos e outros corações, abrindo espaço para mais compreensão neste mundo.
