Equilibrando o Que Recebemos e o Que Entregamos

As pessoas frequentemente me fazem perguntas sobre o judaísmo. Algumas são perguntas sobre a prática, algumas são questões teológicas sérias, e outras caem na categoria de “interessante.” Nesta última categoria, há uma pergunta que eu realmente aprecio: “Rabina, há alguma bênção para irmos ao banheiro?”

A pergunta é feita em tom de brincadeira. Há muitas vezes um sorriso não tão bem escondido atras da pergunta. Parece um momento perfeito para fazer a rabina corar. Na nossa maioria não pensamos no tempo gasto em nossas funções intestinais como um tempo para abençoar Deus. Na verdade, não queremos pensar muito sobre nossas funções intestinais. Então é com um sorriso que eu tenho o prazer de responder “sim!” a essa pergunta. A bênção é:

“Você é uma fonte de bênção, Adonai nosso Deus, Soberano do Universo, que criou o ser humano com sabedoria e criou o corpo com diferentes orifícios e recintos. Se um deles, por ser bloqueado ou aberto, não funcionar, seria impossível existir e exaltar seu nome. Você é uma fonte de bênção, Adonai, regente da humanidade e o que sustenta nossos corpos de maneiras maravilhosas.”

Essa bênção é uma forma de nos forçar a pensar sobre nossos corpos e santificar nossas experiências diárias. Todos sabemos que quando o corpo não funciona corretamente, nossas almas têm dificuldade em focar na tarefa de fazer parceria com Deus no trabalho necessário para apoiar toda a criação. Nossa tradição nos força a olhar para a beleza de nossos corpos dados por Deus diariamente. Ao focar em nossos corpos, somos obrigados a pensar sobre a manutenção e o sustento que eles precisam.

O cuidado do corpo e o conceito de agradecer a Deus pelas aberturas e fechamentos me lembram uma observação rabínica sobre dois corpos d’água de Israel, o Lago Kinneret e o Mar Morto. Eles estão conectados pelo rio Jordão. O Lago Kinneret é um lago de água doce, e fornece boa água potável para o país. No entanto, o rio Jordão termina no Mar Morto, que não deixa a água sair. Em outras palavras, o Kinneret, por ser capaz de receber e dar, é uma fonte de vida. O Mar Morto, porque só recebe e não dá, não será uma fonte de vida para as pessoas. Com sua metáfora, os rabinos explicam que, a menos que estejamos abertos a receber e dar, não estamos funcionando bem.

Esta bênção nos lembra da interconexão de nossas experiências. Com comida e bebida, se consumirmos e não descartarmos, ficaremos muito doentes. Além disso, se consumirmos sem doar, não viveremos uma vida saudável. Se comprarmos muitas coisas para nossa casa e não doarmos o que não precisamos, acabamos com uma casa desordenada. Podemos ser vivos e animados como o Kinneret, ou podemos ser desordenados e sem vida como o Mar Morto.

Hanukah está chegando, na quinta-feira, 10 de dezembro. Vamos tomar a decisão de buscar a saúde em todos os sentidos da palavra. Em geral sempre comemos mais do que nossa cota de sonhos e moedas de chocolate. Podemos assumir um compromisso pessoal de comer apenas o que precisamos, não exagerar, e cuidar de nossos corpos durante esta festa. E sejamos ser saudáveis com nossa doação de presentes, também. Em vez de dar um presente por dia, e contribuir para a bagunça de nossas casas, designemos uma das noites de Hanukah como uma noite de g’milut Hassadim (caridade). Nessa noite escolhida, discuta com sua família onde você gostaria de dar uma contribuição em vez de um presente. Há muitas causas dignas neste mundo. Envie sua contribuição e compartilhe suas bênçãos.

Que este Hanukah seja um momento construtivo para todos nós. Que possamos ter um tempo saudável e equilibrado neste ano.E que todos nós sejamos como o Lago Kinneret, capazes de receber e dar, sendo saudáveis e compartilhando nossas bênçãos com nosso mundo.